MENSAGEM DE PÃSCOA 2012 DA GENERAL

Estava Lá?

ERA o meu primeiro domingo na nova nomeação no Corpo. Quando a reunião terminou fui informada de que uma família estava a  enfrentar a morte iminente da sua filha de 14 anos, que tinha estado presente com os seus pais naquela manhã. Sem dúvida, essa família tinha que ser a minha prioridade para a visitação pastoral. E assim uma viagem de algumas semanas começou, com visitações diárias e o privilégio de estar ao lado da família na sua hora mais sombria.

Numa tarde muito quente e abafada de um domingo de Agosto, fui visitar Sherry pela última vez. Ela estava deitada na sua cama, agonizando com o calor, o desconforto, a sede e a dor. A sua mãe olhava impotente. O seu pai, sentado ao seu lado erguia-a nos seus braços a cada minuto, colocando mais gelo na sua boca como único alívio para a sede intensa. Ela estava a morrer. Sabíamos que estávamos partilhando as suas últimas horas. A janela do seu quarto estava aberta na esperança de entrar algum ar. Mas o que estava a entrar através da janela era o som de crianças a brincar. Os gritos e as gargalhadas alegres contrastavam com os gemidos de uma criança a morrer. De alguma forma, a tristeza era profunda e qualquer coisa além da tristeza parecia muito inapropriada. Mas, além das paredes daquele quarto a vida continuava como de costume.

Isso chamou a minha atenção para o facto de que muito frequentemente somos tão alheios ao sofrimento dos outros. Ouvimos acerca de um julgamento e os noticiários informam a data quando uma criança desapareceu. Ouvimos acerca da angústia dos pais, os detalhes do crime horrível, os meses que passaram até à prisão do perpetrador. Lembrar a data em que o crime aconteceu pode-nos levar a uma reflexão: Onde estava naquele dia? E geralmente temos uma lembrança feliz. Mas então percebemos que enquanto a vida continuou para nós - naquele mesmo dia terminou tragicamente para outros.

E assim foi há muitos anos atrás quando Jesus enfrentou a experiência da crucificação mais agonizante. Um cântico familiar faz a pergunta, "Você estava lá quando crucificaram meu Senhor?" há mais de 2.000 anos atrás, temos que responder "não" se pensarmos em termos de tempo. Mas, podemos estar lá na nossa imaginação.

Na Sua oração no jardim do Getsêmane, Jesus confessou, "A minha alma está profundamente triste até à morte" (Marcos  14:34). Ele transpira gotas de sangue. A sua alma está em agonia. Ele está atormentado, mas a vida continua. Os discípulos dormem. Há um sofrimento além do físico durante a sua prisão, o seu julgamento, o seu açoitamento. A dor da solidão é real. Onde estão os seus companheiros?  Eles estão lá? Sim, eles estão, pelo menos eles estão por perto. Mas Judas tem uma traição orquestrada, Pedro está a negar qualquer conhecimento sobre Ele e os outros amigos não podem ser vistos no meio da confusão.

E para outros em Jerusalém, a vida continua, os negócios seguem normalmente. Não havia consciência de que além dos seus quintais, fora da cidade, o Filho de Deus estava para ser crucificado. Esse é o dia mais importante na história, mas eles não estão "lá". Até Simão Cireneu tinha outros planos. Ele estava a passar, vindo do campo, quando foi parado e forçado a carregar a Cruz e a "estar lá"  (Marcos 15:21-22).

Para ser honesta, mesmo se o tempo ou a geografia não fossem factores, poucos de nós desejam entrar no sofrimento de outros. Certamente, recuamos para não sermos afectados pelo sofrimento. No entanto, nunca mais seremos os mesmos após termos enfrentado essa experiência. De certa forma, nós partilhamos a comunhão de seu sofrimento (Filipenses 3:10) e entramos no conhecimento de Cristo como nunca antes. Para os cristãos, o sofrimento de Jesus em todos os níveis - espiritual, emocional, social e físico -  fala-nos de uma forma profunda. Isso revela-nos que Ele compreende. Ele não está distante ou insensível. Ele está "lá connosco". Ele conhece a dor. Ele conhece a rejeição. Ele conhece a humilhação. Ele conhece a aflição.

No entanto, a época da Páscoa chama-nos para o mais profundo nível de reflexão em relação ao Seu sofrimento. Temos que entender o propósito disso. Isso significa que devemos ir além de contemplar a dor sofrida. Temos que nos confrontar a nós mesmos,a  nossa parte no Seu sofrimento. Não admira que o compositor diga, "Algumas vezes isso me faz tremer, tremer, tremer". Quer percebamos ou não, nós estávamos lá  quando crucificaram nosso Senhor. Com todo o nosso pecado, com todos os nossos defeitos, com toda a nossa revolta, nós estávamos lá. E ele tomou o nosso pecado sobre Si. Ele suportou a Sua terrível pena. Ele abriu o caminho para nós chegarmos ao Pai, reconciliados, redimidos e restaurados. Agora, partilhamos a Sua vida de uma nova forma. Por causa do seu sacrifício expiatório, nós verdadeiramente nunca mais seremos os mesmos.

Esta não é uma história de notícia má. Esta é a boa notícia, a melhor notícia! Esta é uma história de amor! Esta é a demonstração do amor de Deus. O Apóstolo Paulo disse, "pois quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós," (Romanos 5:8). A Cruz não é o fim. Ela é o inicio e a Ressurreição de Jesus anuncia isso na forma mais dramática. Jesus está vivo! Esta é uma história de Deus conosco e Deus por nós.

A surpreendente consequência disso é a nossa salvação. Mas isso também nos chama a procurar a salvação do mundo. Somos um povo que partilha o Seu coração com outros no sofrimento deles, e mesmo na sua apatia e principalmente na sua necessidade de um Salvador. Nós servimos, intercedemos, procuramos a justiça, pregamos a Boa Nova. Acreditamos na transformação, pois também somos um povo ressurrecto. Partilhamos a Sua esperança para o mundo.

Linda Bond
General

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